Tipografia: A Linguagem dos Símbolos

Entenda como as fontes falam.

Certamente você consegue identificar determinadas fontes sem ao menos ver elas no contexto comum, por exemplo, se eu escrevesse dessa maneira, pode ser que não instantaneamente você se lembraria da NETFLIX, mas ela te traria alguma familiaridade. Esse é um dos fatores da tipografia, criar fontes que se tornem características para determinadas situações. Tipo é uma palavra derivada do grego que significa “marca/impressão” e grafia significa “escrita”, portanto a tipografia é a escrita por meio de impressões.

Surgimento da tipografia

Antigamente os livros que circulavam eram copiados a mão, dessa maneira a arte que permeava era a da caligrafia. Em breve comentaremos as diferenças entre caligrafia e tipografia. Apesar de Gutenberg ser considerado popularmente como o inventor da imprensa, o real inventor foi o chinês Bi Shêng por volta de 1040 d.C.. Os tipos de sua prensa eram feitos em argila cozida, madeira e até bronze, e eram dispostos numa tábua, a huóban (tábua viva).

Mesmo isso tendo acontecido muito antes no continente asiático, a tipografia no hemisfério ocidental só foi popularizada no século XV, quando um alemão chamado Johannes Gutenberg inventou a primeira prensa móvel, ou seja, que pode modificar os caracteres conforme o conteúdo a ser impresso. A tipografia surgiu juntamente com a padronização das letras nas primeiras impressões criadas. 

Na figura acima, pode-se observar os tipos de aço do modelo de Gutenberg.

A invenção de Gutenberg possibilitou uma intensificação na produção de livros, sendo o primeiro impresso A Bíblia. Com isso, a leitura popularizou-se e a tipografia tornou-se algo cotidiano.

tipo x cali x lettering

TipografiaCaligrafiaLettering
Tipografia é a criação de padrões de tipos para impressãoDo grego kalli “beleza” e graphẽ “escrita”, a caligrafia é a arte de escrever com letras cursivas.Desenho com letras

Conceitos Anatômicos

Ligaduras

São dois ou mais caracteres que se ligam para ajudar na estética e legibilidade de palavras.

Serifa

Uma das principais divisões tipográficas, são as fontes Serif ou Sans-Serif, essa nomenclatura determina se o tipo tem a serifa como elemento. Sendo, com certeza, o conceito mais clássico da anatomia de um tipo, a serifa é um pequeno traço ou prolongamento que se encontra nas pontas das fontes. Somente esse atributo pode ser dividido em 4 grupos: estilo antigo, serifa de transição, moderno e laje.

Corpo

O corpo de um tipo é o tamanho dele do ponto mais alto ao mais baixo. Geralmente quando aumentamos ou diminuímos o tamanho de uma fonte, estamos nos referindo ao corpo dela. 

Eixo

Os eixos dão o alinhamento da fonte, por exemplo, um eixo angulado pode gerar uma formatação diferente, como é o caso do itálico.

Caixa baixa ou caixa alta

Outro aspecto de formatação tipográfica são as caixas de texto. Pode ser caixa alta, quando as letras são todas maiúsculas, ou caixa baixa, quando são minúsculas. Também pode ser Versalete, quando o uso das letras se misturam, por exemplo, mantendo as maiúsculas no início das palavras. Essa diferença do uso do Caps lock pode trazer mais ênfase a determinadas mensagens.

Categorias tipográficas

Existem diversas categorias pelas quais a tipografia se divide, entre elas existem as 4 principais:

Serif

Usada principalmente para a realização de impressões, as fontes “serifadas” (termo abrasileirado para fontes Serif) são boas para textos longos e densos. Elas auxiliam no descanso da visão, possibilitando uma leitura mais tranquila.

As fontes serifadas são clássicas, tradicionais e possuem pequenos prolongamentos no final de cada caractere.

Dentro das serifadas, é possível encontrar outras nomenclaturas, como a Slab Serif que é um tipo criado no século XIX, também conhecido como Egyptian. Ela é uma tipografia com blocos grossos como serifas. 

Sans Serif

Essa tipografia é justamente o contrário da anterior “Sans” quer dizer “sem” em francês, ou seja, esses caracteres são sem serifa, ou, não-serifados. É aquela fonte retinha que não possui os prolongamentos no final, a mais comum sendo a Arial. Geralmente são usadas para textos mais curtos, porém é possível encontrar diversos trabalhos acadêmicos que usam a Sans Serif e não prejudicam seu sentido.

Script

Também conhecida como tipografia Cursiva, a Script simula caligrafia com impressões de tipos. Elas são comumente utilizadas em convites, certificados, ou outros documentos que necessitem transmitir elegância desde a fonte.

Para criar um contraste bonito, ocasionalmente as fontes cursivas são usadas em conjunto com as Sans Serif, mantendo a elegância.

Display

Também conhecidas como “decorativas” ou “fantasia”, as fontes Display são mais puxadas para o lado artístico. Elas têm como principal função escrever informações de destaque, como títulos de cabeçalho ou outras coisas que fontes decoradas não atrapalhem a interpretação. 

Erros mais comuns na aplicação de uma fonte

Misturar muitos tipos de fontes distintas

Você usaria uma camisa de estampa floral com bermuda xadrez sem parecer o Agostinho Carrara? Não, né? Então não fique misturando fontes como se não houvesse amanhã, a não ser que essa seja sua marca registrada.

Excesso ou falta de espaçamento

Essa é uma questão muitas vezes esquecida, porém que possui tremendo impacto sobre o resultado final do seu projeto. Letras muito juntas enganam os olhos e fazem os leitores confundirem os caracteres, atrapalhando a leitura e a interpretação. Já letras muito espaçadas, deixam a leitura mais trabalhosa, pois fica mais difícil de conectar as letras em somente uma olhada.

Muitos caracteres por linha

Sim, isso também faz parte da tipografia. Geralmente, especialistas recomendam entre 50-60 caracteres por linha, mais do que isso a leitura torna-se cansativa e confusa.

Leiturabilidade X Legibilidade

Dois conceitos essenciais para a construção da tipografia de um projeto são a leiturabilidade e a legibilidade. No livro de 1967, Types of Typefaces, “Leiturabilidade” é definida, em tradução livre, como a facilidade com que o olho consegue absorver a mensagem e se mover pela linha, já “Legibilidade” é a facilidade com qual sua visão consegue diferenciar um caracter do outro.

Resumidamente, legibilidade é se você consegue ler algo e leiturabilidade é o conforto visual de ler aquilo. NeM tuDo qUE e´LEgiVeL É lEituRáVEl.

Como escolher a fonte ideal para seu projeto

Bom, agora que você já sabe o que não deve fazer, é muito mais fácil escolher uma tipografia para seu trabalho. A primeira questão é: com ou sem serifa? Geralmente, quando trabalhamos com textos mais longos e/ou impressos que podem cansar a vista, usamos fontes serifadas. Isso porque a serifa promove um descanso para a visão e tem como consequência uma leitura mais tranquila e menos confusão entre caracteres.

Depois desses aspectos técnicos, é hora das escolhas estéticas como, por exemplo, a fonte que combina esteticamente, suas cores, entre outros. Para tal, é preciso ter esclarecida a identidade do seu projeto, por exemplo, não seria condizente usar uma letra trabalhada em um projeto de estética minimalista. Então, conheça seu projeto.

A realidade é que todas as fontes, se usadas em contextos propícios e apropriados, podem transmitir ideias boas e originais. Sim, até a Comic Sans (para o terror dos hipsters). Grande parte do ódio por essa fonte veio de seu uso indiscriminado em situações inapropriadas, mas ela foi criada somente para encaixar melhor nos balões de fala de um cachorro falante em um software infantil do Windows 3.1. Então, sim, todas as fontes têm o seu lugar de “fala”, até porque cada tipo foi criado com um propósito. Parem de odiar a Comic Sans pelo mau uso dela.

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